terça-feira, novembro 14, 2017

Pinturas - Modigliani

A propósito da notícia da próxima exposição na Tate Modern (e com que vontade lá iria...), fui lembrando os anos em que a pintura tinha, para mim, referências numa estética própria, de descoberta da juventude.
Há mais de 50 anos??? uma das minhas amigas-de-coração e de como os traços dela nos faziam falar em Modigliani, levadas pela semelhança que o namorado A. lhe encontrava. E sim, os traços dela lembravam as mulheres angulosas e misteriosas do pintor.
Amedeo Modigliani (1884-1920)

e naturalmente a minha companheira de adolescência, foi-me recordada de cada vez que vi estes quadros:

Na Courtauld Gallery, Londres, "Female Nude" - 1916


Na bela colecção de Paul Guillaume, na "L'Orangerie", Paris, "Fille rousse"


"Femme au ruban de velours", 1915

"Le jeune apprenti"
e o próprio "Paul Guillaume", 1915
Daqui e dali me vêm as lembranças.
Não seguindo (não tendo seguido) o caminho principal - e de novo me assalta a necessidade estética que tão agudamente senti pelos 15/20 anos... -, só há poucas décadas me dei conta da infinitude/finitude. E também muito das coincidências.


quarta-feira, outubro 25, 2017

PPP Outubro 3

Numa antecipação (vou aos montes, outra vez! despedir-me das pedras e vinhas que vão adormecendo no Outono) ao "Fotografando as palavras dos outros" de 26.10, sobre um belo poema de Manuel António Pina, "Todas as palavras" poesia reunida,  2011:
A sugestão de J. e um poeta que nos fugiu, tão novo, para as estrelas:

"Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas
em direcção à tua escuridão, deixando-me,
ou a alguma coisa menos tangível,
no seu lugar.
Também elas envelheceram, as escadas,
também como eu, desabitadas.
Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus,
e, à nossa volta, os nossos corpos desvanecem-se como terras estrangeiras."

As minhas propostas, (re)escolhendo as que ficaram "no tinteiro"






Terras estrangeiras... desvanecidas no tempo.



 

quarta-feira, outubro 18, 2017

PPP Outubro 2

Aqui, as reticências "Caso tu..." a iniciar o texto e foto que escolhi


"Caso tu tenhas dúvidas sobre o que deves comer, escolhe o que é uso nas terras onde estás: chegam-te as lapas frescas, com sabor a ilhas e a mar. E nunca mais te esqueces!"

Outras sugestões com outros textos que (não) cheguei a inventar:
Bucho e Maranho na Sertã

Pézinhos de coentrada em Castelo de Vide

E "caso tu..." não saibas onde estás, tens sempre os pontos cardeais para te orientar

ou sinal na porta onde deves entrar

E caso tu tenhas dúvidas sobre o Outono...

...ou onde te sentar e descansar, verificando o redondo da Terra...

O paraíso pode ser um pequeno nada

E seguindo os pequenos nadas anteriores. 
Quando foi preciso, à força e de repente, arranjar um infantário para o filho, mal acabados os dois anos em casa... tivemos más experiências. No primeiro, recomendado por amiga, escolhido aqui perto porque não se tinha carro e era preciso ir a pé, fiz um chinfrim logo que soube que algumas crianças estavam em casa com meningite (não se falava em vírica ou bacteriana, era uma doença grave e pronto) e consegui que a Direcção Geral de Saúde lá fosse.
E outras coisas do livro que poderia escrever "Como criar um filho com poucos recursos humanos e financeiros". Entretanto, a orientação do melhor pediatra que se consultava, o Dr. Virgílio Moreira, foi para "O Paraíso Infantil", difícil de obter vaga, mais longe, com horários diferentes e complicados de conciliar com o trabalho... Mas tudo isto a propósito de me ter lembrado da cantiguinha desse infantário, muito avançado para o tempo: "O Paraíso é jardim encantador..."
Assim, há mais de 10 anos, o PPP, todas as semanas é como um jardim: menos gente, mais gente, mas é um lugar alegre, de aprendizagem, de arte também, de conhecimento de outros mundos e afectos.
"Justine", uma companheira antiga, sugeriu na 1ª semana de Outubro uma foto/texto "Ao jeito de cartilha" com a sílaba "le". Como sempre, vejo e escolho várias fotos, várias palavras, vários motivos.
A que acabei por escolher foi esta: Lepidóptero, com o texto

"Acabei por sorrir para mim mesma: de todos os “les” que fui vendo e pensando, aconteceu-me reparar nesta palavra de que nem me lembrava. Para uma borboleta, convenhamos que lhe ficava bem outro nome, mais leve ou elegante... Mas como vem do grego “lepi”, traz consigo as formas clássicas e belas da Grécia, o sol e as cores radiantes, está perdoada: a minha borboleta de Maio."


e uma segunda escolha que guardei:


Havia ainda estas: Lezíria
Levante
Lêveda
São assim, paraísos de pequenos nadas, algumas vontades, muita partilha amiga.

sábado, outubro 07, 2017

Uma vez mais, apontamentos dos dias

Para não me perder das coisas que gosto, deixo o que vou vendo e me adoça. Já que "de meninas" nem posso falar... fica-me o carinho com que (explico) o que são as oliveiras, o que são as aves, o que são as ondas. Se não estiver (eu) alguma fotografia há-de sobrar para S. Isso e papéis. Isso e livros. Isso e lugares.


















O meu gosto pela Natureza. Larga de horizontes e de pequenos nadas, felizes.


segunda-feira, setembro 25, 2017

Sa(l)ir

Uns dias doces, o ano foi o passado.
Espero rever, a doçura ou a violência do mar, os tons de Outono em pequenos passos, olhar as aves em grandes ou curtos vôos. Ver tudo igual e sempre parecer diferente.
Passar o Alentejo e ficar sempre (lá)presa um bocadinho. Abrir/lembrar/fechar.
Hei-de escolher as oliveiras, os caminhos do do ouro, das planícies, que vi este ano.
Porque entretanto cheguei e revi a doçura e os tons, as aves em pequenos passos. Repeti o encanto que aqui está.










E todos os fins de dia, na varanda!